A Educação Corporativa como Motor da Estratégia
- Ariane Lemes
- Nov 12, 2025
- 3 min read

Todos os contextos sociais estão sendo impactados pelo fenômeno que chamamos de mundo BANI, um contexto social frágil, ansioso, não-linear, incompreensível. O oposto à segurança e previsibilidade, tão almejados pela espécie humana.
No ambiente de trabalho, não importa a área de atuação, o mundo BANI se expressa por uma crescente necessidade de aprendizado e, sobretudo, aprendizado rápido para adaptação às necessidades de mercado.
Do ponto de vista do profissional, o aprendizado contínuo e veloz proporciona a sua manutenção no mercado de trabalho e maiores chances de progresso na carreira, já do ponto de vista das organizações, é o que possibilita a sua sobrevivência. Então, entra o papel da empresa em proporcionar um ambiente propício para os profissionais se desenvolverem, preparando o solo para que um bom trabalho seja realizado.
A educação corporativa deve servir como um instrumento para gerar resultados alinhados com a estratégia de negócio, se não há mudança ou se o impacto é desalinhado com os objetivos da empresa, as ações educacionais podem ser consideradas um desperdício, não um ganho.
Realizar treinamentos sobre liderança apenas por se considerar um assunto importante para “qualquer empresa”, sem qualquer análise de necessidade para aquele momento, enquanto outros temas causariam mais impacto, é um exemplo de iniciativa desalinhada.
Na linha de apresentar a cultura de aprendizagem como um instrumento para potencializar resultados de negócios, em palestra realizada no Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento de 2025, o Bruno Falcão trouxe algumas orientações sobre como fortalecer a cultura de aprendizagem nas organizações, de modo que exista uma cultura positiva, desejada pela empresa.
Uma das indicações foi, justamente, a construção de uma educação alinhada ao negócio, capaz de gerar impacto real, porém, criar esse alinhamento não basta se não houver engajamento, por isso, a segunda orientação é que a liderança assuma um papel de modelo de aprendizagem, aprendendo e ensinando.
Em seguida, foi destacado que a aprendizagem deve ocorrer no próprio fluxo de trabalho, ou seja, as pessoas devem aprender fazendo, conforme as demandas de trabalho vão surgindo, sem esquecer que os aprendizados devem ser celebrados, com reconhecimento público, gerando um ciclo de incentivos.
De acordo com metodologia 70-20-10, desenvolvida no Center for Creative Leadership, temos o seguinte:
70% do aprendizado vem de experiências diretas, por meio de execução de tarefas, literalmente “colocando a mão na massa”.
20% do aprendizado é social, portanto, advém de interações com outras pessoas em ações como feedbacks, compartilhamento de experiências, observar colegas executando as tarefas, dentre outros.
10% do aprendizado se origina de ações educacionais formais e estruturadas, como cursos, palestras e leitura de material didático.
As porcentagens devem ser vistas como um guia e não como uma regra rígida, de modo que as organizações criem um ambiente que proporcione que diversos modelos de aprendizado se relacionem para facilitar o processo de aprendizado dos profissionais, priorizando algumas ações frente a outras, a depender das necessidades específicas dos indivíduos frente às demandas da empresa.
Reforçando a visão da educação corporativa como um instrumento da estratégia de negócio, no episódio nº 1675 do podcast Jornada Ágil, Igor Cozzo — Diretor Geral da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento — compartilhou uma reflexão importante em conversa com o host do podcast, Pedro Cardoso.
Segundo ele, o profissional da área de treinamento e desenvolvimento deve atuar como um consultor de performance da empresa, ou seja, alguém que utiliza ações educacionais como meio para alcançar os objetivos estratégicos da organização, e não como um fim em si mesmas.
Essa consideração é relevante para que o foco do profissional não se limite ao indicador de horas de treinamento, pois a verdadeira métrica de sucesso está na melhoria da performance.
Para que a educação corporativa cumpra seu papel estratégico, é essencial que os assuntos e modalidades de ensino sejam escolhidos com base nas necessidades reais da organização, transformando aprendizado em resultados concretos.
Com essa visão da educação corporativa como instrumento da estratégia de negócio, a educação corporativa deve atuar como propulsor tanto do ponto de vista do indivíduo, colaborando com o seu crescimento profissional, como do ponto de vista da empresa, levando a organização para o destino traçado pela alta direção.
Abaixo, o podcast mencionado, que aborda diversos outros temas interessantes — como a capacidade de aprender a aprender (outra competência essencial para que o profissional se mantenha no mercado de trabalho em nosso contexto de mundo BANI) — bem como o artigo escrito por Pedro Cardoso sobre o Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento de 2025, evento em que foi realizada a palestra mencionada neste artigo.
Artigo sobre o CBTD de 2025:
Artigo escrito por Ariane Guerra
Coordenadora do CGV Academy | Educação Corporativa no Contexto Jurídico

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